A 70.ª edição do Festival Eurovisão da Canção está a enfrentar uma onda de contestação sem precedentes. Uma carta aberta, divulgada esta terça-feira, reúne as assinaturas de mais de 1.100 profissionais da música e da cultura que exigem o boicote ao certame, devido à participação de Israel no atual contexto do conflito na Faixa de Gaza.
O movimento conta com uma adesão massiva de nomes centrais da música nacional. Entre os subscritores portugueses figuram figuras históricas e novos talentos, tais como Jorge Palma, Iolanda, Cristina Branco, The Legendary Tigerman, Mayra Andrade, Linda Martini, Júlio Resende, Aldina Duarte e Cláudia Pascoal. A lista estende-se ainda a nomes como Ana Deus, Filipe Sambado, Selma Uamusse, Stereossauro, Fado Bicha e Xullaji, demonstrando a união de vários géneros musicais, do Fado ao Rock e ao Hip-Hop.
No plano internacional, o manifesto ganha peso com o apoio de estrelas mundiais como Peter Gabriel, Brian Eno, Macklemore, Massive Attack, Sigur Rós, Idles e Primal Scream. Os artistas denunciam uma "dualidade de critérios" por parte da organização, comparando a situação atual com a exclusão da Rússia do concurso.
A tensão política já provocou alterações na competição deste ano. Países como Espanha, Irlanda, Países Baixos, Eslovénia e Islândia optaram por não participar nesta edição por questões de princípios.
Por outro lado, existe uma corrente oposta: na semana passada, uma outra carta subscrita por personalidades como a atriz portuguesa Daniela Ruah e o músico Gene Simmons defendeu que o festival deve ser "uma celebração da unidade" e não um instrumento político, rejeitando as tentativas de banir Israel.
Portugal, que será representado pelo grupo Bandidos do Cante com o tema "Rosa", mantém a sua presença na primeira semifinal do festival, marcada para maio, na Áustria.
Fonte:Lusa / Foto:Pedro Pina