O longo processo de transição do Novo Banco chega ao fim nos próximos dias. O Ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, confirmou que a venda da instituição financeira ao grupo francês Banque Populaire et Caisse d'Epargne (BPCE) será formalmente concluída na próxima semana, encerrando um capítulo histórico no sistema bancário português iniciado com a resolução do BES em 2014.
A operação, acordada em 2025, envolve um montante global de 6.400 milhões de euros. Com este desfecho, o fundo norte-americano Lone Star aliena a sua participação de 75%, encaixando 4.800 milhões de euros, enquanto o Estado português recebe 1.600 milhões de euros pela venda da sua posição de 25%. A confirmação surgiu no final da reunião do Conselho de Ministros, onde o governante comparou a escala desta transação à privatização da TAP.
O BPCE, que já manifestou a intenção de manter um investimento de longo prazo em Portugal, deverá introduzir novos nomes para cargos de chefia após a assembleia-geral marcada para dia 29 de abril. No entanto, o atual presidente executivo, Mark Bourke, manter-se-á em funções para assegurar a continuidade da gestão. De saída estão três membros do Conselho Geral e de Supervisão, cujos substitutos deverão ser conhecidos no âmbito da entrada dos novos proprietários.
A conclusão deste negócio marca o fim de um período de forte intervenção pública. Recorde-se que, entre 2017 e 2024, o Fundo de Resolução injetou mais de 3.400 milhões de euros no banco para cobrir ativos herdados do BES, num processo marcado por intensa polémica política. Com o fim do mecanismo de capitalização e o pagamento de dividendos agora autorizado, o Novo Banco inicia uma nova fase sob o controlo de um dos maiores grupos bancários franceses.
Fonte e Foto:Lusa