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Agricultores da UE avisam para perdas de 39.000 ME nos próximos sete anos
Publicado em 05/05/2026 15:27
Economia
Foto:New Zealand

As organizações e cooperativas agrícolas da União Europeia lançaram um alerta sério sobre o impacto financeiro do novo Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço (CBAM). Segundo dados avançados pela agência Lusa, estima-se que a aplicação deste imposto sobre os fertilizantes importados resulte numa perda de 39 mil milhões de euros para o setor nos próximos sete anos.

Este mecanismo, em vigor desde o início de 2026, obriga os importadores de produtos com elevada pegada de carbono a pagar pelo CO2 incorporado nos bens que entram no espaço europeu. Embora a medida vise proteger os fabricantes europeus de fertilizantes, a comunidade agrícola, representada pela Copa-Cogeca, recorda que 30% dos fertilizantes nitrogenados utilizados na Europa são de origem externa, o que torna o setor vulnerável a este novo encargo.

As projeções indicam um custo direto imediato de 820 milhões de euros este ano, valor que deverá subir progressivamente até atingir os 3.400 milhões anuais em 2034. Além do custo direto, os agricultores temem um "alinhamento de preços" por parte dos produtores internos, o que poderia elevar o prejuízo total para os referidos 39 mil milhões de euros — uma fatia que corresponde a 10% do orçamento atual da Política Agrícola Comum (PAC).

O setor sublinha que este aumento dos custos de produção ocorre num momento de grande instabilidade geopolítica. Com o conflito no Médio Oriente a inflacionar os componentes dos fertilizantes em 30% a 60%, os agricultores sentem-se pressionados entre custos de produção crescentes e preços de venda fixados pelos mercados globais, colocando em risco a segurança alimentar e a sustentabilidade das explorações europeias.

Face a este cenário, a comunidade agrícola europeia reiterou o pedido para a suspensão do CBAM na sua forma atual. As organizações apelam à implementação de medidas de apoio a longo prazo que compensem estes sobrecustos e garantam que a produção europeia não perde competitividade face aos mercados internacionais.

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