Lisboa, 07 mai 2026 (Lusa) — A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) criticou duramente a postura do Governo no processo negocial sobre os incentivos ao trabalho em urgências. A estrutura sindical afirma que as propostas apresentadas pelo Ministério da Saúde são insuficientes para fixar profissionais no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e acusa o executivo de manter um modelo que sobrecarrega os médicos.
Em declarações à comunicação social, Joana Bordalo e Sá, presidente da FNAM, revelou que a federação foi convocada para uma reunião sem acesso prévio aos documentos, que só foram partilhados após o encontro. Embora o documento ainda esteja sob análise detalhada, a dirigente alerta que as medidas são muito semelhantes às aplicadas em 2024, as quais, recorda, não evitaram o encerramento sistemático de serviços de urgência por todo o país.
A proposta que seguiu para Conselho de Ministros prevê o pagamento de horas extraordinárias, acima do limite legal, com incentivos que variam entre 40% e 80% do salário base. Contudo, para a FNAM, esta solução baseada em "pacotes de horas" não ataca o problema de fundo.
A federação defende que a solução passa pela criação de condições de trabalho dignas e por uma revisão efetiva do salário base, em vez de depender exclusivamente de suplementos por trabalho suplementar. Segundo a estrutura sindical, sem uma reforma estrutural que valorize a carreira médica, o SNS continuará a perder profissionais, agravando a carência de recursos humanos nos hospitais públicos.