Lisboa, 07 mai 2026 ( Lusa)— Os 16 detidos no âmbito do processo que investiga crimes de tortura e violações na esquadra da PSP do Rato iniciaram, esta manhã, a fase de primeiro interrogatório judicial no Campus da Justiça, em Lisboa. O grupo, constituído por 15 polícias e um civil, começou a ser presente ao juiz de instrução pouco depois das 10h00.
À entrada do Tribunal Central de Instrução Criminal, a defesa de alguns dos agentes envolvidos considerou ainda ser cedo para prestar declarações detalhadas, mencionando apenas que os polícias alegam sentir-se injustiçados. Com estas detenções, sobe para 24 o número total de operacionais da PSP sob investigação por alegados abusos cometidos contra cidadãos em situação de vulnerabilidade, como cidadãos sem-abrigo e estrangeiros.
A investigação, denunciada pela própria PSP e tutelada pelo DIAP de Lisboa, apurou que vários episódios de violência foram filmados e partilhados em grupos de mensagens privadas entre agentes. Em causa estão crimes graves de tortura, abuso de poder e ofensas à integridade física qualificada, ocorridos entre 2024 e 2025 nas esquadras do Rato e do Bairro Alto.
A operação que culminou nestas detenções incluiu 30 buscas domiciliárias e em esquadras. Este caso já conta com outros dois agentes a aguardar julgamento desde 2025 e sete polícias em prisão preventiva. O Ministério da Administração Interna tem acompanhado o processo, sublinhando a gravidade dos comportamentos desviantes detetados no seio da instituição.