(Redação) - O processo de revisão das leis laborais terminou em rutura total. A Ministra do Trabalho acusa a UGT de intransigência, enquanto a CGTP acusa o Governo de autoritarismo e convoca uma paralisação nacional para o dia 3 de junho.
O Fim da Linha na Concertação
O que deveria ser um processo de consenso terminou numa troca de acusações cruzadas. A Ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, confirmou que o Governo avançará unilateralmente com uma proposta de lei para a Assembleia da República, após o falhanço das negociações na Concertação Social.
A governante lamentou a postura da UGT, afirmando que o Executivo fez "inúmeras cedências" sem reciprocidade. Por outro lado, referiu que a CIP (patronato) se manteve remissiva, sem apresentar propostas concretas.
CGTP denuncia "Versão Imposta" e convoca Greve
A reação da CGTP-IN não se fez esperar e elevou o tom da contestação. Tiago Oliveira, Secretário-Geral da central sindical, desmentiu a narrativa de abertura do Governo, afirmando que a Ministra manteve, do início ao fim, a sua "versão inicial" sem qualquer vontade real de negociar as preocupações dos trabalhadores.
"Este pacote legislativo tem tudo de negativo. O Governo nunca quis o diálogo, quis apenas impor a sua visão", declarou Tiago Oliveira.
Perante o que classifica como um ataque aos direitos laborais, o líder da CGTP lançou um apelo direto à mobilização:
Convocatória: Greve Geral Nacional.
Data: 3 de junho.
Objetivo: Protestar contra a proposta de lei e exigir a valorização do trabalho e dos trabalhadores.
Parlamento será o próximo campo de batalha
Com o dossier a seguir agora para as mãos do Primeiro-Ministro, o Governo prepara-se para levar a proposta a votos no Parlamento sem o "selo de aprovação" dos parceiros sociais.
O cenário político agrava-se com a promessa da CGTP de levar a contestação das salas de reunião para as ruas, prometendo uma "grande adesão" no início de junho para travar as intenções do Executivo de Luís Montenegro.
Destaque: Enquanto a UGT é apontada pelo Governo como o entrave ao acordo, a CGTP posiciona-se como a força de bloqueio nas ruas, deixando o Governo isolado na defesa do novo pacote laboral.