Leiria, 8 de maio de 2026 ( Lusa)– O Governo confirmou hoje que o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) terá um reforço de meios na região de Leiria durante o presente ano. O anúncio foi feito pelo ministro da Administração Interna, Luís Neves, em conferência de imprensa, após uma reunião de trabalho com o Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO).
A decisão de reforçar o contingente surge como uma resposta direta aos danos severos causados pela depressão Kristin. A tempestade deixou milhares de árvores derrubadas e uma acumulação perigosa de material combustível na floresta, aumentando exponencialmente o risco de incêndios para o próximo verão. Segundo o ministro, a gravidade da situação exige "respostas de exceção", justificando a priorização de 22 concelhos para a afetação de recursos suplementares.
Atualmente, o CIPO está focado em operações de limpeza de áreas críticas, remoção de árvores caídas e reabertura de caminhos florestais para garantir o acesso das equipas de socorro. Esta estrutura coordenada envolve os ministérios da Administração Interna, Defesa e Agricultura, contando ainda com o apoio das Forças Armadas, GNR, ICNF e a Liga dos Bombeiros Portugueses.
No que diz respeito aos meios aéreos, Luís Neves adiantou que já existe um pré-posicionamento de aeronaves em centros que cobrem o perímetro de Leiria, aproveitando a localização estratégica da Base Aérea de Monte Real. O objetivo é garantir uma intervenção rápida caso surjam focos de incêndio num território que se encontra agora "muito exposto".
Este reforço vem dar resposta ao apelo do presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, que recentemente alertou para a possibilidade de incêndios "explosivos" devido ao estado da floresta. O autarca sublinhou que a destruição causada pelas tempestades de janeiro em concelhos como Leiria, Marinha Grande, Pombal e Ourém torna a vigilância e a prevenção terrestre fundamentais para evitar catástrofes durante os meses de maior calor.
Em 2025, o dispositivo na região contou com 471 operacionais e 113 viaturas. Para este ano, as autoridades garantem que os números serão superiores, focando-se não apenas no combate, mas sobretudo na presença dissuasora e na vigilância ativa por parte da GNR e das Forças Armadas nas zonas de maior risco.