Lisboa, 8 de maio de 2026 (Lusa) – O Ministério da Administração Interna (MAI) revelou hoje que, num período de menos de três meses, 44 elementos das forças de segurança foram afastados de funções ou expulsos. Entre os visados encontram-se 30 militares da GNR e 14 agentes da PSP, todos envolvidos em processos disciplinares por crimes graves. De acordo com a informação enviada à agência Lusa, o ministro Luís Neves assinou os respetivos despachos desde que tomou posse, a 23 de fevereiro. As medidas aplicadas variam entre a suspensão preventiva e a pena expulsiva, refletindo a promessa do governante de manter uma postura de "mão firme" perante comportamentos desviantes nas instituições policiais.
As condenações e suspeitas que motivaram estas decisões abrangem uma vasta tipologia criminal. Entre os crimes listados pelo MAI figuram o peculato, violência doméstica, burla, ofensas à integridade física, abuso sexual de pessoa incapaz, branqueamento de capitais, corrupção, tráfico de influências, tráfico de seres humanos, sequestro e abuso de poder. Na GNR, dos 30 militares afetados, 12 foram expulsos (separação de serviço), 16 suspensos preventivamente e dois dispensados de serviço. Já na PSP, o ministro determinou a demissão de nove polícias, a aposentação compulsiva de quatro e a suspensão de um agente.
Este anúncio surge num momento de forte escrutínio sobre as autoridades. Recentemente, a operação "Safra Justa" resultou na suspensão de 11 elementos envolvidos em redes de tráfico de imigrantes no Alentejo. Paralelamente, uma investigação às esquadras do Rato e Bairro Alto, em Lisboa, levou à detenção de 24 polícias da PSP por suspeitas de tortura e violações contra cidadãos vulneráveis, como sem-abrigo e toxicodependentes. Com estas decisões, o Governo reafirma a intenção de depurar as forças de segurança de elementos que ponham em causa a ética e a legalidade da função pública.