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Comércio de fertilizantes em abril atingiu o mínimo desde 2019
Publicado em 11/05/2026 15:26
Economia
@Lusa

(Lusa) - O mercado global de fertilizantes registou em abril uma quebra "histórica", atingindo o volume de trocas comerciais mais baixo dos últimos sete anos. Segundo dados da OCDE, este cenário é o resultado direto do encerramento do Estreito de Ormuz, uma via estratégica que viu o seu fluxo interrompido devido ao agravamento do conflito militar na região do Golfo Pérsico.

De acordo com Graham Pilgrim, especialista da OCDE, o Estreito de Ormuz é uma artéria vital para a segurança alimentar mundial, por onde passam cerca de 30% dos fertilizantes consumidos no planeta. Com o bloqueio, as exportações de grandes produtores como o Catar, Arábia Saudita e Irão ficaram retidas, afetando gravemente o abastecimento de potências agrícolas como o Brasil, Estados Unidos, China e Índia.

Além dos fertilizantes, o bloqueio logístico está a paralisar outras matérias-primas essenciais. Atualmente, cerca de 828 navios com carga proveniente do Golfo Pérsico continuam retidos, representando 1,8% da capacidade mundial de transporte marítimo. O fluxo de gás natural liquefeito (GNL) é o mais prejudicado, seguido de perto pelo transporte de petróleo e produtos químicos.

Embora os países da OCDE tenham uma dependência direta reduzida desta rota (cerca de 1,5%), outras economias enfrentam situações críticas. Países como o Paquistão, Quénia e Madagáscar dependem desta via para mais de 20% das suas importações. A OCDE estima que, mesmo após a reabertura do estreito, as mercadorias retidas possam demorar até seis semanas a chegar aos destinos finais, prolongando a crise nas cadeias de abastecimento.

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