O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, retomou esta segunda-feira os contactos diplomáticos com os seus homólogos da Arábia Saudita e do Egito. O objetivo é reavaliar o processo de paz com os Estados Unidos, após o presidente Donald Trump ter rejeitado formalmente a última proposta enviada por Teerão através da mediação do Paquistão.
Embora os detalhes das conversas não tenham sido totalmente divulgados, Teerão procura consolidar uma frente comum com os seus vizinhos árabes. Araghchi tenta obter apoio contra o que classifica como "exigências excessivas" da administração norte-americana, enquanto o Egito e a Arábia Saudita tentam equilibrar a segurança marítima no Estreito de Ormuz com a necessidade de evitar uma escalada militar total na região.
A proposta iraniana, descrita por Teerão como "legítima e generosa", incluía condições ambiciosas para o fim das hostilidades, tais como o levantamento imediato das sanções petrolíferas, a libertação de 100 mil milhões de dólares em ativos congelados e o reconhecimento da soberania iraniana sobre a passagem estratégica de Ormuz. Donald Trump reagiu de forma dura, classificando a proposta como "totalmente inaceitável" e acusando o governo iraniano de "estar a jogar jogos" diplomáticos.
Apesar do cessar-fogo em vigor desde 8 de abril, a tensão permanece elevada. O Irão aponta a recente apreensão de navios por parte dos EUA como uma violação direta da trégua, fator que tem impedido a realização de uma nova ronda de negociações presenciais em Islamabad. O conflito, que teve o seu ponto alto na intervenção militar de fevereiro liderada pelos EUA e Israel, continua dependente da frágil linha de comunicação mantida pela mediação do Paquistão.