O líder do Chega, André Ventura, lançou duras críticas ao PSD esta segunda-feira, após o partido de Luís Montenegro ter anunciado que não irá apoiar a criação de uma comissão de inquérito parlamentar sobre a Operação Influencer. Em declarações aos jornalistas, Ventura acusou os sociais-democratas de utilizarem "motivos fúteis" para travar o escrutínio e questionou abertamente de que "tem medo" o maior partido do Parlamento.
Segundo avançou a agência Lusa, a direção da bancada do PSD justificou a sua decisão defendendo que "a política não deve invadir o espaço que cabe à justiça" e que estes processos não devem ser conduzidos ao sabor de interesses partidários. Para André Ventura, esta posição reflete uma "cultura de proteção mútua" entre PS e PSD, alertando que o país não pode "olhar para o lado" perante as suspeitas que ditaram a queda de um governo de maioria absoluta.
Apesar da oposição do PSD, que garante o chumbo da proposta na votação em plenário, o Chega já traçou o seu plano de ação para a próxima sessão legislativa. O partido pretende forçar a constituição desta comissão por via potestativa — um recurso que permite a criação de um inquérito sem necessidade de aprovação por maioria — a partir de setembro.
O inquérito proposto visa investigar a legalidade das intervenções do ex-primeiro-ministro António Costa e de membros do seu Executivo em processos estratégicos como a exploração de lítio nas minas do Romano e do Barroso, a produção de hidrogénio em Sines e o projeto do data center da Start Campus. Ventura reforçou que o objetivo é apurar responsabilidades políticas e evitar que o caso se torne num novo "processo Marquês".