16 de maio de 2026 (Lusa) — Os desaparecimentos forçados na Venezuela registaram um aumento alarmante de 196% durante o ano de 2025, saltando de 54 para 160 vítimas face ao ano anterior. Os dados constam no mais recente relatório anual do Programa Venezuelano de Ação e Educação em Direitos Humanos (Provea), apresentado na Universidade Central da Venezuela, que classifica este período como o maior retrocesso antidemocrático das últimas décadas na região.
Segundo o documento da organização não-governamental (ONG), a maioria dos cidadãos desaparecidos permaneceu em paradeiro totalmente desconhecido por mais de 100 dias. A par desta realidade, as detenções por motivos políticos cresceram 102% em comparação com a média dos últimos 17 anos, totalizando quase 600 violações da liberdade pessoal em 2025 — a grande maioria homens e incluindo 11% de crianças e adolescentes. As Forças Armadas (FANB) e os serviços de inteligência militar (DGCIM) foram apontados como os principais responsáveis pelos abusos.
O relatório de 180 páginas expõe ainda um cenário severo de torturas, agressões e assédio nas prisões, reportando um aumento de 30% nos casos de tortura em relação a 2024 e a morte de uma pessoa em Barinas devido a maus-tratos. Entre os métodos punitivos aplicados a presos políticos e familiares contam-se espancamentos, asfixia, choques elétricos, isolamento prolongado e a negação sistemática de assistência médica.
A nível de letalidade policial, a Provea contabilizou 336 execuções extrajudiciais em 2025 — perpetradas sobretudo pela Polícia Nacional Bolivariana e pelo CICPC —, elevando para mais de 10.850 o número de pessoas assassinadas por forças estatais desde o início do regime de Nicolás Maduro. Perante o "silêncio" da Provedoria de Justiça e a ausência de investigações do Ministério Público, a ONG apelou a um desmantelamento urgente da máquina repressiva e à recuperação da independência dos poderes públicos na Venezuela.