15 de maio de 2026 (Lusa) — A embaixadora da Palestina em Portugal, Rawan Sulaiman, afirmou hoje na Assembleia da República que a Nakba (termo árabe para "catástrofe", associado ao êxodo de mais de 750 mil palestinianos entre 1947 e 1949) continua a ser uma "realidade permanente e injusta". A diplomata sublinhou que este não é um evento confinado ao passado, mas algo que se manifesta diariamente através de colonatos, confiscações de terras, ocupações e restrições à dignidade do seu povo.
O discurso teve lugar na Sala do Senado, numa iniciativa promovida pelo Grupo Parlamentar de Amizade Portugal-Palestina, presidido pelo deputado Jorge Pinto (Livre). Durante o evento, que incluiu a exibição do documentário "Aida Returns", de Carol Mansour, Rawan Sulaiman partilhou a história da sua própria família, expulsa da cidade de Jaffa em 1948, realçando o impacto pessoal do exílio e defendendo que o reconhecimento histórico da Nakba é fundamental para qualquer processo de paz.
A embaixadora traçou também um paralelo com a atualidade na Faixa de Gaza, classificando o cenário de destruição de bairros, hospitais e escolas como um "capítulo devastador" que choca a consciência humana. Sulaiman rejeitou qualquer solução militar para o conflito, apelando à coragem política para privilegiar o diálogo, o direito internacional e uma solução política justa. A diplomata fez ainda questão de enaltecer o apoio histórico e o alinhamento de Portugal com os direitos legítimos do povo palestiniano.
A sessão de abertura contou com a intervenção de Jorge Pinto, que condenou os ataques na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, garantindo o empenho do grupo parlamentar na defesa de uma Palestina livre. O evento solene contou com a presença e discurso de vários deputados de bancadas como o PSD, PS, Livre, PCP e Bloco de Esquerda, além de diversos representantes do corpo diplomático em Lisboa.