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Pareceres oficiais confirmam impactos severos de megaprojetos solares na Beira Baixa
Publicado em 18/05/2026 12:05
Local
Foto:Paulo Novais

Castelo Branco — Os relatórios de avaliação ambiental e de consulta pública das centrais fotovoltaicas Sophia e da Beira confirmam a existência de impactos estruturais, permanentes e irreversíveis na paisagem e nos ecossistemas da Beira Baixa. A denúncia foi avançada esta segunda-feira pela Plataforma de Defesa do Parque Natural do Tejo Internacional (PDPNTI) e divulgada pela Agência Lusa, após a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ter disponibilizado os documentos oficiais que, segundo o movimento cívico, estiveram "ocultados do público durante meses".

De acordo com o comunicado da plataforma, os relatórios elaborados pelas comissões de avaliação técnica validam as preocupações que as populações locais, especialistas e movimentos ambientalistas vinham a manifestar. Os pareceres alertam explicitamente para os riscos de uma "crescente industrialização e artificialização" da região, apontando falhas graves no ordenamento do território, degradação dos solos e dos recursos hídricos, além da fragmentação ecológica que ameaça a biodiversidade local.

No caso da Central Solar Sophia — um megaprojeto que envolve os municípios do Fundão, Idanha-a-Nova e Penamacor com um investimento estimado em 590 milhões de euros —, os técnicos sublinharam que seria necessária uma "redução muito significativa" do plano original para que os impactos pudessem, eventualmente, ser minimizados. Por sua vez, a Central Fotovoltaica da Beira previa a instalação de mais de 425 mil painéis solares numa área de 524 hectares entre Castelo Branco e Idanha-a-Nova. Ambos os projetos já terão recebido pareceres desfavoráveis da APA devido à magnitude dos danos ambientais previstos.

A consulta pública destes processos registou uma das maiores mobilizações de sempre em procedimentos ambientais em Portugal, somando mais de 12 mil participações apenas no projeto Sophia. Diante dos dados agora conhecidos, a PDPNTI exige ao Governo a realização urgente de uma Avaliação Ambiental Estratégica integrada para toda a Beira Baixa, defendendo que a proliferação de grandes centrais elétricas na região já não pode continuar a ser analisada de forma isolada.

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