Viena — A polícia austríaca intercetou mais de 500 ciberataques de elevada gravidade durante a 70.ª edição do Festival Eurovisão da Canção, realizada na semana passada em Viena. Segundo um balanço oficial divulgado esta segunda-feira pelo Ministério do Interior da Áustria, as ofensivas informáticas tinham como objetivo sabotar ou paralisar as infraestruturas digitais do evento, mas foram totalmente travadas pelas barreiras de segurança. Conforme avançou a Agência Lusa, o certame ficou marcado por um forte dispositivo de segurança e por um ambiente de elevada tensão política, motivado por protestos e boicotes associados à participação de Israel.
A operação de segurança envolveu a mobilização de mais de 3.500 agentes policiais, que patrulharam a capital austríaca desde a cerimónia de abertura, a 10 de maio, até à grande final do concurso. Além de garantir a proteção de cerca de 130 mil espetadores, as autoridades locais monitorizaram cerca de três dezenas de manifestações públicas. O descontentamento com a presença israelita levou mesmo à ausência de várias delegações oficiais, com Espanha, Eslovénia, Irlanda, Islândia e Países Baixos a recusarem enviar artistas para a edição deste ano.
Ao nível da ordem pública, o balanço policial saldou-se em 74 queixas e 16 detenções. Destas, 14 prenderam-se com a violação da lei austríaca que proíbe o uso de véus faciais integrais em espaços públicos, registadas durante os protestos no exterior. No plano estritamente musical, o festival culminou com a vitória inédita da Bulgária, representada pela cantora Dara com o tema “Bangaranga”, assinalando um regresso triunfal do país após três anos de paragem motivada por restrições orçamentais.