18 de maio de 2026 (Lusa) — A Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, justificou hoje publicamente a deportação de Alex Saab para os Estados Unidos, assegurando que a medida foi estritamente administrativa e tomada com base no superior interesse da nação. Considerado o alegado testa de ferro de Nicolás Maduro, Saab vê-se novamente envolto num processo de extradição, com a líder venezuelana a desvalorizar o impacto político ao sublinhar que se trata de um cidadão de origem colombiana e que o caso corre agora entre o próprio empresário e a justiça norte-americana.
A mudança de postura de Caracas é drástica, uma vez que em 2023 o Executivo tinha celebrado o regresso de Saab ao país como um triunfo diplomático. No entanto, o ministro do Interior e da Justiça, Diosdado Cabello, revelou em conferência de imprensa que estão em curso investigações devido a suspeitas de que Saab tenha cometido múltiplos tipos de fraude contra o próprio Estado venezuelano. Cabello ironizou mesmo com o comportamento do antigo diplomata, referindo que o empresário alegou não se lembrar do seu próprio número de identidade quando foi questionado pelas autoridades.
A nível legal, a liderança do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) explicou que a expulsão do país para responder por branqueamento de capitais nos EUA se fundamenta no artigo 271.º da Constituição. O dispositivo legal determina que a deportação de cidadãos estrangeiros não pode ser negada em casos que envolvam crimes financeiros, crime organizado, tráfico de estupefacientes ou infrações contra o património público. O Serviço Administrativo de Identificação, Migração e Estrangeiros (SAIME) confirmou que a operação de deportação foi executada no passado sábado.
Alex Saab tinha sido detido originalmente em Cabo Verde em 2020 e extraditado para solo americano no ano seguinte. Após intensa pressão de Caracas — que chegou a nomeá-lo ministro da Indústria e Produção Nacional em outubro de 2024 —, os EUA tinham aceitado libertá-lo no âmbito de uma troca por dez cidadãos norte-americanos. Contudo, a sua influência ruiu poucas semanas após a detenção de Nicolás Maduro pelas forças dos Estados Unidos, o que precipitou a sua destituição e este novo desfecho judicial.