Havana, 19 mai 2026 (Lusa) — O Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, desvalorizou o alcance das novas sanções aplicadas por Washington contra 11 altos funcionários políticos e militares do país. A medida da administração norte-americana, que estipula o congelamento de bens e ativos financeiros sob jurisdição dos Estados Unidos, foi classificada pelo líder cubano como ineficaz.
Através das redes sociais, Díaz-Canel assegurou que nenhum membro da liderança do Partido Comunista, do Estado, do Governo ou das chefias militares cubanas possui propriedades ou capital em território norte-americano. O chefe de Estado acrescentou que a Casa Branca tem total conhecimento deste facto, alegando que o processo avança sem a apresentação de qualquer prova concreta.
O presidente cubano enquadrou a ação numa campanha contínua de pressão económica exercida por Washington, que visa forçar reformas políticas e de mercado na ilha. Lembrou ainda que esta estratégia já incluiu um bloqueio ao abastecimento de petróleo e a ordem executiva de 1 de maio, que serviu de base para a atual ampliação das sanções.
Díaz-Canel acusou a política externa norte-americana de ser "imoral, ilegal e criminosa", argumentando que a imposição de um castigo coletivo à população cubana configura um crime de genocídio. Perante este cenário, o governante apelou à intervenção e condenação por parte dos organismos internacionais, exigindo a responsabilização penal dos promotores do embargo, que descreveu como uma "guerra económica total".
As restrições comerciais e financeiras, detalhadas pelo Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Tesouro norte-americano, visam figuras políticas de relevo como Esteban Lazo, presidente da Assembleia Nacional, e Roberto Morales Ojeda, secretário de Organização do Partido Comunista de Cuba. A lista estende-se aos ministros da Justiça, Rosabel Gamón Verde, das Comunicações, Mayra Arevich Marín, e da Energia e Minas, Vicente de la O Levy.
No plano militar, o bloqueio atinge o vice-ministro das Forças Armadas Revolucionárias (FAR), Joaquín Quintas Solá, o chefe da Polícia Nacional Revolucionária (PNR), Eddy Manuel Sierra Arias, e o responsável pela direção política do Ministério do Interior (Minint), Oscar Alejandro Callejas Valcarce, além de chefias da contrainteligência militar e dos exércitos Central e Oriental. Três instituições estruturais da segurança interna cubana — a PNR, o Minint e a Direção de Inteligência (DI) — foram igualmente sancionadas.
O endurecimento das medidas surge num contexto de forte instabilidade regional, agravado desde a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro deste ano. Desde então, Washington intensificou as exigências de abertura económica e política em Havana, recorrendo a sanções consecutivas e a advertências de cariz militar.
A retórica escalou no início do mês, quando o Presidente dos EUA, Donald Trump, declarou num comício na Florida que pretendia assumir o controlo de Cuba de forma célere, associando o calendário dessa operação ao desfecho do conflito em curso com o Irão. Em resposta, o executivo de Díaz-Canel afirmou que o país está preparado para repelir uma eventual intervenção armada, tendo a Defesa Civil cubana emitido recentemente um guia oficial com diretrizes de proteção e contingência para a população.