Maputo, 19 mai 2026 (Lusa) — Cerca de 3.000 trabalhadores de empresas fornecedoras da Mozal, a maior indústria de Moçambique, continuam sem receber as respetivas indemnizações após a suspensão das atividades da fundição, ocorrida em março devido a um impasse nas tarifas de energia.
De acordo com o secretário-geral do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e Energia (Sintime), Américo Macamo, das 20 empresas parceiras afetadas pela paragem, apenas oito liquidaram a totalidade dos direitos laborais aos seus funcionários. As restantes enfrentam graves dificuldades financeiras e foram apanhadas de surpresa pelo fim abrupto dos contratos.
A Mozal, controlada pela multinacional South32, garantiu o pagamento integral a todos os seus colaboradores diretos, recaindo agora a responsabilidade sobre as empresas fornecedoras de cumprir a legislação moçambicana.
Perante o descontentamento e as ameaças de litígios judiciais ou protestos violentos por parte de alguns lesados, o Sintime tem apelado à contenção. O sindicato lembra que a infraestrutura deverá reabrir no futuro, assim que as condições de mercado e as tarifas de energia sejam renegociadas, pelo que a preservação dos postos de trabalho e das instalações continua a ser prioritária.