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Berlim defende integração da Ucrânia na União Europeia através de estatuto associado
Por Redação
Publicado em 21/05/2026 08:49
International
Foto:Lusa

BERLIM – O chanceler alemão, Friedrich Merz, formalizou uma proposta dirigida aos líderes da União Europeia (UE) que visa criar uma ponte estratégica para a Ucrânia no seu caminho rumo à adesão plena. Numa missiva endereçada ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, e à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o líder germânico sublinha a necessidade de pragmatismo face aos desafios estruturais que retardam o processo formal de entrada no bloco.

Na carta, citada pela agência France-Presse (AFP), Merz reconhece que a complexidade dos procedimentos de ratificação e os obstáculos políticos tornam improvável uma conclusão célere das negociações, propondo por isso a criação do estatuto de “membro associado” como uma etapa decisiva de integração. O Governo alemão esforça-se por afastar a ideia de uma adesão de segunda categoria, detalhando que este estatuto permitiria a Kiev participar em reuniões específicas do Conselho Europeu, nomear um comissário europeu “associado” sem pasta e ter deputados no Parlamento Europeu sem direito de voto. Esta abordagem procura equilibrar a urgência demonstrada pelo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que ambiciona a adesão plena em 2027, com a realidade dos processos diplomáticos da UE.

Desde que obteve o estatuto de candidato oficial em dezembro de 2023, a trajetória da Ucrânia tem enfrentado impasses significativos, particularmente devido ao veto exercido pela Hungria durante a administração de Viktor Orbán. Contudo, a recente mudança política em Budapeste, com a vitória de Peter Magyar nas legislativas de abril, abriu uma janela de oportunidade para o desbloqueio das negociações formais. Apesar da abertura renovada, o processo mantém-se condicionado por temas sensíveis, como a integração do vasto setor agrícola ucraniano. O peso da Ucrânia neste setor continua a suscitar preocupações em vários Estados-membros, nomeadamente em França, o que antecipa negociações técnicas prolongadas e exigentes nos próximos anos.

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