Cidade do México — A assinatura de um novo tratado comercial entre a União Europeia e o México vai dar uma dinâmica inédita ao intercâmbio financeiro e político entre os dois blocos. O entendimento, alcançado durante a oitava cimeira bilateral na capital mexicana, prevê a extinção de quase todas as taxas alfandegárias, gerando poupanças milionárias para o tecido empresarial e aumentando o leque de opções para o público consumidor. Os detalhes deste compromisso histórico foram divulgados pela Agência Lusa.
A líder do executivo comunitário, Ursula von der Leyen, utilizou as redes sociais para sublinhar que o Acordo Global Modernizado — que atualiza o modelo de cooperação em vigor desde 2001 — vai salvaguardar produtos alimentares e bebidas emblemáticas de ambas as regiões, promovendo a igualdade de oportunidades no mercado europeu e mexicano. A par da facilitação comercial, a dirigente anunciou um investimento europeu de cinco mil milhões de euros no país latino-americano, em perfeita sintonia com as metas económicas da Presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, que assinou o documento institucional.
O evento contou ainda com a presença do Presidente do Conselho Europeu, António Costa, que participou como testemunha e classificou as duas potências como aliadas naturais ligadas por valores partilhados. Segundo um esclarecimento oficial emitido por Bruxelas, o novo enquadramento jurídico vai simplificar as exportações de bens e melhorar as condições de acesso a setores estratégicos, beneficiando diretamente os prestadores de serviços nas áreas das telecomunicações, dos transportes e dos produtos farmacêuticos e agroalimentares, impedindo discriminações de mercado.
De acordo com os indicadores estatísticos da Comissão Europeia, o bloco comunitário posiciona-se como o terceiro maior parceiro comercial de mercadorias do México, sendo que as exportações europeias para este mercado ultrapassaram os 53 mil milhões de euros no ano passado, tendo o setor de alimentação e bebidas — com forte destaque para o vinho — liderado as vendas. Ambas as partes vão agora dar início aos respetivos trâmites legais internos de ratificação, sendo necessária a validação unânime de todos os Estados-membros da União Europeia para que o documento definitivo entre formalmente em vigor.