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Irão: Trump afirma que acordo está muito próximo mas equaciona retomar a guerra
Líder norte-americano mostra-se dividido entre selar o entendimento ou avançar para as hostilidades, enquanto mediadores apontam avanços nas negociações
Por Redação
Publicado em 23/05/2026 18:16
International
Foto:Lusa

Washington — De acordo com informações avançadas este sábado pela agência Lusa, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou que a assinatura de um acordo com o Irão se encontra bastante iminente. Contudo, o chefe da Casa Branca assumiu publicamente uma posição de ambivalência entre fechar em definitivo o pacto diplomático ou reiniciar o conflito armado com Teerão.

Em declarações telefónicas prestadas à CBS News, o governante norte-americano assegurou que as conversações estão a registar progressos diários. De acordo com informações obtidas por aquele canal de televisão junto de fontes próximas do processo, o plano mais recente que está sobre a mesa prevê a reabertura do estratégico estreito de Ormuz, a libertação de fundos iranianos que se encontram retidos em instituições bancárias internacionais e o prolongamento do diálogo diplomático por mais 30 dias.

Por outro lado, numa outra entrevista concedida ao portal Axios, Donald Trump preferiu conter os entusiasmos, apontando para uma probabilidade de "50-50" entre a obtenção de um documento satisfatório ou uma ofensiva militar devastadora contra o território iraniano. Recorde-se que as duas nações mantêm um cessar-fogo desde o início de abril, interrompendo os combates iniciados em fevereiro por Washington e Israel. O Presidente norte-americano cancelou a sua presença no casamento do filho mais velho para regressar à capital e liderar uma reunião de emergência com a sua equipa de segurança e negociação, onde constam o vice-presidente JD Vance, Steve Witkoff e Jared Kushner.

Apesar da postura cautelosa de Trump, os mediadores internacionais mostram-se mais confiantes. O chefe do exército do Paquistão, general Asim Munir, deslocou-se este sábado à capital iraniana para tentar aproximar as partes e, no término dos encontros, declarou que as últimas 24 horas de conversações bilaterais resultaram em avanços bastante animadores rumo a uma plataforma de entendimento definitivo.

Esta visão é partilhada por ambas as capitais. Do lado do Irão, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Esmail Baghaei, confirmou na televisão estatal que o país está na etapa final de execução de um memorando para a cessação das hostilidades, notando uma aproximação às exigências de Washington. Em simultâneo, a partir de Nova Deli, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, admitiu aos jornalistas que existe uma forte probabilidade de o Irão aceitar os termos do acordo muito em breve.

O atual cessar-fogo mantém-se sob uma enorme fragilidade desde o dia 8 de abril. O diferendo tem provocado fortes impactos económicos globais, uma vez que o Irão mantém a pressão militar no estreito de Ormuz — afetando o preço do petróleo —, enquanto os Estados Unidos mantêm um bloqueio naval para asfixiar os portos e a economia de Teerão.

O centro da discussão diplomática assenta não só na livre circulação marítima e no descongelamento de ativos, mas também nas exigências ocidentais quanto ao programa nuclear iraniano, à produção de mísseis de longo alcance e ao financiamento de grupos armados no Médio Oriente, como o Hamas e o Hezbollah.

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