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Pesca de lula é destrutiva e descontrolada em três oceanos, revela investigação
Relatório internacional da EJF revela abusos laborais extremos e destruição ecológica no alto mar; União Europeia absorve quase um terço das exportações globais.
Por Redação
Publicado em 04/06/2026 12:19
Economia
@Lusa

Lisboa, 04 jun 2026 (Lusa) — A captura de lulas em águas internacionais está a ser dominada por frotas sem qualquer fiscalização, que recorrem à destruição de ecossistemas e a graves violações dos direitos humanos. Segundo um relatório divulgado pela Fundação Justiça Ambiental (EJF), as frotas que operam à margem da lei no Índico, Atlântico e Pacífico controlam cerca de 60% do mercado global deste produto. O documento alerta para o facto de a União Europeia ser o destino de 29% destas capturas, liderando as importações mundiais.

A investigação, desenvolvida ao longo de cinco anos através de entrevistas a mais de 430 marinheiros, expõe um cenário de total impunidade. No plano ecológico, os navios praticam massivamente o finning — o corte das barbatanas a tubarões, muitas vezes ainda vivos, descartando os corpos no mar — e dizimam espécies protegidas como golfinhos e tartarugas. Para ocultar a atividade ilegal, 97% das embarcações transfere a mercadoria para outros cargueiros em pleno oceano, branqueando o produto antes de entrar nos circuitos comerciais legais.

No plano laboral, as denúncias apontam para condições análogas à escravatura. A frota de longo curso da China é apontada pela EJF como a principal infratora, com 92% dos tripulantes inquiridos nestes navios a relatar situações de trabalho forçado, violência extrema e retenção de documentos de identificação.

O relatório contabilizou ainda 25 óbitos em barcos chineses, associados em grande parte ao surto de beribéri, uma patologia fatal desencadeada por subnutrição crónica e carência de vitamina B1. Perante esta crise regulatória em águas internacionais, a organização apela a uma intervenção urgente e coordenada entre os Governos mundiais e os grandes distribuidores comerciais para impor a transparência no setor.

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