Lisboa, 04 jun 2026 (Lusa) — A economia portuguesa deverá registar um saldo orçamental nulo durante o corrente ano, estimando-se uma ligeira derrapagem para um défice de 0,1% em 2027. De acordo com o relatório Economic Outlook, hoje publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), as finanças públicas nacionais vão ser fortemente influenciadas pelo ritmo de execução dos fundos europeus.
A OCDE detalha que o plano orçamental para 2026 assumirá um caráter expansionista, impulsionado pelas subvenções do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que deverão subir para um valor próximo de 2,3% do PIB, a que se somam mais 0,7% do PIB em empréstimos comunitários. O documento refere ainda o peso de medidas extraordinárias — equivalentes a 0,4% do PIB — destinadas a travar a escalada dos preços dos combustíveis e a apoiar as populações afetadas pelas severas tempestades ocorridas no início do ano.
Este cenário sofrerá uma inversão em 2027, ano em que a política macroeconómica passará a ser contracionista, sofrendo um ajuste estimado em 2,5% do PIB. Esta travagem resultará da retirada progressiva dos apoios energéticos e do encerramento dos pacotes financeiros do PRR, um fator que, segundo os peritos da organização, acabará por penalizar o consumo e a procura interna, mesmo com o reforço dos tradicionais fundos de coesão da União Europeia.
No que diz respeito à dívida pública, a OCDE antecipa que o rácio face à riqueza nacional manterá a trajetória descendente, recuando para os 86,3% do PIB em 2026 e fixando-se nos 83,3% no ano seguinte. O organismo internacional deixa, contudo, um aviso claro de que a sustentabilidade desta descida a médio prazo obrigará o país a uma maior eficácia na gestão da despesa do Estado. Importa referir que a perspetiva de um saldo nulo para este ano converge com as metas já traçadas pelo próprio Governo português no plano enviado a Bruxelas no passado mês de abril.