Maputo, 04 jun 2026 (Lusa) — Uma nova vaga de violência na província moçambicana de Cabo Delgado forçou a fuga de cerca de 1.200 pessoas para a vila de Mocímboa da Praia nas últimas semanas. Segundo a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), o grupo — que compõe mais de 250 famílias — inclui 466 crianças e 45 grávidas que abandonaram as suas comunidades após três ofensivas armadas entre abril e maio.
Os relatos recolhidos pela ONU descrevem um cenário de terror marcado por assassinatos, saques e agressões físicas graves. Atualmente, a maior parte dos recém-chegados encontra-se abrigada em casas de familiares ou de membros da comunidade local, provocando a sobrelotação das habitações e gerando fortes tensões sociais.
O ACNUR alerta para o risco acrescido de exploração laboral de mulheres em troca de abrigo e para a insegurança alimentar, uma vez que os deslocados perderam o acesso à pesca e dependem inteiramente da solidariedade alheia. O conflito em Cabo Delgado, iniciado em 2017 por grupos associados ao Estado Islâmico, já provocou mais de 6.600 mortos no norte do país.