Lisboa, 04 jun 2026 (Lusa) — A presidente da Iniciativa Liberal (IL), Mariana Leitão, acusou o PCP e a CGTP de adotarem uma posição rígida e hostil face à revisão da legislação laboral. Em declarações prestadas esta quinta-feira durante uma visita à Feira do Livro de Lisboa, a dirigente associou esse discurso ao clima de crispação que resultou em confrontos e na detenção de seis pessoas junto à Assembleia da República, no encerramento da greve geral de quarta-feira.
Apesar de ter salvaguardado que a central sindical não pode ser diretamente culpada pelas ações de todos os presentes, Mariana Leitão defendeu que tanto a CGTP como os comunistas têm responsabilidade no tom extremado que deram ao protesto. "Com o seu discurso, contribuem para o aumentar das tensões", apontou a líder liberal, condenando os episódios em que as reivindicações derivam para a violência ou põem em causa o direito ao trabalho de outros cidadãos.
O foco da disputa política está na proposta do Governo para alterar o Código do Trabalho, com debate agendado no Parlamento para 18 de junho. Mariana Leitão admitiu o risco de o documento ser rejeitado logo na generalidade devido ao voto contra em bloco da esquerda — incluindo o PS — e à posição do Chega. A deputada acusou o partido de André Ventura de fingir uma postura reformista para depois bloquear mudanças essenciais com contrapartidas que considera sem sentido, como propor a redução da idade da reforma sem salvaguardar as contas e a sustentabilidade da Segurança Social.
À margem do dossier laboral, a líder da IL comentou ainda as notícias sobre a Spinumviva, empresa fundada pelo atual primeiro-ministro, Luís Montenegro, e hoje gerida pelos seus filhos. Mariana Leitão exortou o chefe do Executivo a clarificar a situação de forma transparente, alertando que o uso de expedientes para reter documentação ou travar o acesso à informação só serve para adensar as dúvidas públicas sobre o caso.