Braga, 04 jun 2026 (Lusa) — O líder da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) fez um diagnóstico severo sobre o estado da assistência à terceira idade em Portugal. À margem do congresso nacional da organização, Manuel Lemos sustentou que o país esgotou o tempo de reação face ao envelhecimento da população, sublinhando que a pressão extrema sentida pelas famílias e pelas urgências hospitalares resulta de anos de inércia política e de crises sucessivas.
Para o responsável, o atual panorama de subfinanciamento estatal impede as instituições de cobrir as despesas reais de funcionamento e afasta os concorrentes dos concursos públicos para novas obras, cujos orçamentos não acompanham a inflação do mercado. Manuel Lemos apontou ainda que este défice crónico de vagas é a razão direta para a proliferação de lares clandestinos, uma vez que as autoridades se veem incapacitadas de encerrar estas estruturas ilegais por não terem onde realojar os utentes.
Fazendo eco destas preocupações, a UMP defende que o Ministério das Finanças e a tutela da Segurança Social colaborem urgentemente num plano integrado. A estratégia proposta passa pelo reajuste dos salários dos profissionais — com foco na carência de enfermeiros —, pela remodelação do apoio domiciliário e pela criação de novos modelos habitacionais, como as residências colaborativas para idosos que ainda retêm autonomia, salvaguardando a sustentabilidade do setor social.