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A povoação das linhas de alta tensão
Moradores de Casais das Boiças venceram uma batalha ambiental de dois anos e travaram o avanço de um terceiro corredor elétrico sobre as suas habitações.
Por Redação
Publicado em 04/06/2026 10:30
Nacional
Foto:Tiago Petinga

Azambuja, 04 jun 2026 (Lusa) — Situada no sopé da serra de Montejunto, a pequena localidade de Casais das Boiças, em Alcoentre, convive há mais de quatro décadas com o ruído constante e a imponência de duas linhas de alta tensão que escoam a energia da antiga central do Carregado. Contudo, a pacata rotina dos residentes foi posta à prova quando descobriram que o projeto da mega central fotovoltaica da vizinha herdade da Torre Bela previa a instalação de uma terceira linha de transporte energético precisamente acima das suas cabeças.

Movilizados pela indignação e pelo receio de impactos na saúde, os habitantes decidiram não cruzar os braços. António Loureiro, um residente de 70 anos, assumiu a liderança do movimento cívico, analisando minuciosamente o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) original e unindo a comunidade para exercer pressão junto do poder local. A persistência popular, que incluiu a ameaça de recorrer à Provedoria de Justiça, acabou por surtir efeito. A autarquia da Azambuja e a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) recuaram, ordenando uma avaliação prioritária que validou um traçado alternativo, desviando a estrutura para terrenos agrícolas da própria Torre Bela.

Após dois anos de impasse e contestação, a população conseguiu salvaguardar o espaço aéreo do seu povoado. Perante a proliferação de grandes complexos de energias renováveis pelo país e as recentes propostas governamentais para simplificar os licenciamentos ecológicos, António Loureiro deixa uma recomendação clara a outras comunidades em luta: ler atentamente os documentos técnicos e manter a união, lembrando que o imobilismo garante a derrota, mas a ação cívica organizada pode mesmo alterar decisões que pareciam definitivas.

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