Estrasburgo / Lisboa, 04 jun 2026 (Lusa) — Os cidadãos estrangeiros que exercem atividade no setor agrícola em Portugal continuam a ser o grupo mais vulnerável às redes de exploração e tráfico de seres humanos. O alerta consta do mais recente relatório do Conselho da Europa, que traça um raio-X das fragilidades e desafios do país na proteção de migrantes durante o período compreendido entre 2021 e 2024.
O documento oficial contabiliza e confirma a existência de 250 cidadãos integrados no estatuto de vítimas de tráfico em solo nacional ao longo do triénio analisado. Apesar de reconhecer os esforços institucionais em curso, a organização internacional aponta lacunas estruturais que urge corrigir, nomeadamente a morosidade e a ineficácia na deteção precoce destas situações por parte das autoridades competentes e das inspeções de trabalho.
O órgão europeu de fiscalização reforça ainda a necessidade de o Estado português implementar reformas legislativas e judiciais que facilitem o acesso célere e eficaz das vítimas a compensações financeiras e indemnizações pelos danos sofridos. O relatório conclui que a dependência laboral e habitacional nos complexos agrícolas isolados agrava o risco de isolamento, tornando indispensável uma maior fiscalização preventiva nos campos.