Tóquio, 05 jun 2026 (Lusa) — O Governo do Japão está a equacionar a renovação de até 14 reatores nucleares antigos até meados deste século, avançaram os meios de comunicação social nipónicos. A estratégia, desenvolvida pelo Ministério da Economia, Comércio e Indústria, surge num momento em que o país enfrenta uma pressão acrescida para expandir a sua capacidade energética. O aumento do consumo de eletricidade é fortemente impulsionado pela expansão de infraestruturas tecnológicas modernas, como os centros de dados, a produção de semicondutores e os sistemas de inteligência artificial.
Segundo os detalhes avançados pela agência Kyodo News e pela estação pública NHK, o cronograma desenhado pelo executivo prevê a substituição das primeiras cinco unidades obsoletas até à década de 2040, estendendo-se a meta até aos 14 reatores na década seguinte. Esta iniciativa representa a primeira ocasião em que as autoridades de Tóquio estipulam objetivos quantificáveis e datas concretas para a modernização do parque nuclear desde a catástrofe de Fukushima, em 2011.
O projeto-lei deverá ser apresentado em Conselho de Ministros ainda esta sexta-feira, estando previsto que o executivo liderado pela primeira-ministra Sanae Takaichi proceda à revisão final e aprovação do plano durante o verão. Estimativas do setor energético alertam que, sem esta intervenção, o Japão registará um défice de produção de 5,5 milhões de quilowatts até 2040, o que equivale à potência gerada por cinco centrais. Embora o país tenha suspendido totalmente a atividade nuclear após o sismo e o tsunami que danificaram a central de Fukushima, a necessidade de atingir a neutralidade carbónica até 2050 e de reduzir a compra de combustíveis fósseis ditou esta viragem estratégica.