Lisboa, 06 jun 2026 (Lusa) — As ruas de Lisboa voltaram a pintar-se com as cores do arco-íris este sábado, numa manifestação que reuniu milhares de pessoas em defesa dos direitos da comunidade LGBTI+. A mobilização deste ano ficou marcada por um forte tom de protesto contra o risco de recuos nas conquistas sociais alcançadas nas últimas décadas.
A concentração da 27.ª Marcha do Orgulho LGBTI+ teve início cerca das 17:00, na Praça do Marquês de Pombal. Ao ritmo forte dos tambores, a multidão iniciou a descida da Avenida da Liberdade empunhando cartazes reivindicativos e agitando uma enorme variedade de bandeiras representativas das diferentes identidades de género e orientações sexuais. Entre as mensagens expostas podiam ler-se frases como "Em cada rosto, igualdade" ou "O amor das minhas mães merece ser celebrado, não explicado".
A organização do evento, que juntou 17 associações e coletivos de cariz político, feminista e antirracista, justificou a urgência do protesto com o atual panorama político do país. Em comunicado, a comissão organizadora alertou que o novo cenário político coloca em perigo as pessoas e as famílias LGBTQI+, denunciando tentativas recentes de reversão de direitos fundamentais — com especial enfoque no ataque às pessoas trans —, algo que classificam como um risco inédito de retrocesso em matéria de Direitos Humanos desde o fim da ditadura.
O descontentamento da comunidade foi adensado pelo cancelamento do Arraial Pride, que este ano não se realizou em junho, quebrando uma tradição de décadas na capital. Perante esta ausência, os promotores sublinharam que a importância de sair à rua se tornou ainda mais "incontestável", transformando a marcha num espaço vital de afirmação, visibilidade e união para a comunidade e os seus aliados.