Teerão, 07 jun 2026 (Lusa) — O regime do Irão lançou este domingo um aviso severo, ameaçando retaliar contra posições militares e interesses dos Estados Unidos e de Israel no Médio Oriente. A tomada de posição surge como reação direta à recente investida aérea israelita sobre a periferia sul de Beirute, uma área sob forte influência do grupo xiita Hezbollah.
A posição oficial de Teerão foi vocalizada pelo Presidente do Parlamento e principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf. Através de uma publicação na rede social X, o responsável sublinhou que a conivência de Washington com as ações de Telavive mudou as regras do jogo. "O bloqueio naval imposto ao Irão e a autorização hoje dada pelos Estados Unidos ao regime sionista tornam as bases e os ativos norte-americanos e do regime na região alvos legítimos", avisou, assegurando que as forças iranianas estão em prontidão máxima.
Na origem deste pico de tensão esteve o anúncio feito pelo Primeiro-Ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que confirmou o bombardeamento ao bairro de Dahye, no sul da capital libanesa. Este ataque representou a primeira quebra do novo compromisso de cessar-fogo que tinha sido mediado e assinado na passada quinta-feira, em Washington.
De acordo com o gabinete de Netanyahu, a ofensiva militar funcionou como uma resposta direta a disparos de projéteis executados a partir do Líbano em direção ao norte do território israelita — ações que, contudo, não mereceram uma reivindicação imediata por parte do Hezbollah.
Esta não é a primeira vez que a estabilidade na região é posta à prova. Desde que o primeiro pacto de não-agressão entre Israel e o Líbano entrou em vigor, a 17 de abril, a aviação israelita já visou a capital libanesa por duas ocasiões. Paralelamente, a faixa sul do Líbano continua a ser palco diário de escaramuças e confrontos diretos entre soldados de Israel e guerrilheiros do Hezbollah, ameaçando deitar por terra os esforços diplomáticos internacionais.