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Mélenchon ignora parcerias à esquerda e lança-se sozinho na corrida ao Eliseu
Aos 74 anos, o líder da esquerda radical antecipa-se aos rivais, reúne multidão em bastião operário e assume-se como o único antídoto contra a extrema-direita.
Por Redação
Publicado em 07/06/2026 21:15
International
@Lusa

Saint-Denis, França, 07 jun 2026 (Lusa) — Jean-Luc Mélenchon não quis esperar pelos restantes partidos da esquerda francesa e deu, este domingo, o pontapé de saída para as presidenciais de 2027. Num comício que juntou mais de 26 mil apoiantes na cidade de Saint-Denis, a norte de Paris, o carismático líder do França Insubmissa (LFI) posicionou-se como a única barreira eficaz para impedir que a extrema-direita de Marine Le Pen ou Jordan Bardella conquiste o Palácio do Eliseu dentro de um ano.

A estratégia de avançar já serve para o veterano político, de 74 anos, cavalgar o desentendimento que se vive no resto do bloco progressista francês. Enquanto os outros partidos de esquerda se afundam em debates internos sobre a necessidade de realizarem eleições primárias conjuntas, a LFI recusa o cenário e prefere apostar no fator surpresa e no corpo a corpo com o eleitorado.

O discurso de Mélenchon focou-se no combate direto à União Nacional (RN), partido que os analistas apontam como sério candidato a vencer as eleições de 2027. O líder da esquerda radical acusou os nacionalistas de promoverem uma cartilha de supremacia desenhada para fraturar o país "por etnia e religião", contrapondo que foi o seu partido que "conquistou a honra de avançar em primeiro lugar" para dar o peito às balas.

Apesar do banho de multidão em Saint-Denis, o caminho para Mélenchon — uma das figuras mais polarizadoras de França — promete ser duro. Embora as projeções indiquem que o candidato da LFI tem hipóteses de chegar à segunda volta, os mesmos estudos de opinião preveem que acabaria esmagado num confronto direto na ronda final contra a extrema-direita.

A escolha do local para o primeiro grande comício teve um forte pendor político e multicultural. Saint-Denis destaca-se pelo seu perfil operário e pela elevada taxa de população imigrante. O evento ganhou ainda mais simbolismo ao ter como anfitrião o novo presidente da Câmara local, Bally Bagayoko (LFI), um autarca de origem maliana que discursou em frente à Basílica onde estão sepultados os antigos reis de França.

Foi neste cenário que Mélenchon apresentou as linhas mestras da sua "Nova França", um projeto focado no planeamento ecológico e no antirracismo. "Não renegaremos, senhoras e senhores fascistas, os sacrifícios e o amor dos nossos avós que nos permitem estar aqui", atirou o político, que tenta agora capitalizar o balanço de 2022, ano em que garantiu 22% dos votos e falhou a segunda volta por escassos 420 mil boletins.

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