Lisboa, 09 jun 2026 (Lusa) — O mercado de estupefacientes na Europa está a expandir-se a um ritmo alarmante, com a deteção média de uma nova substância psicoativa por semana. O alerta foi emitido esta terça-feira pela Agência da União Europeia sobre Drogas (EUDA), que manifestou forte preocupação com o aparecimento de substâncias sintéticas de elevada potência que aumentam drasticamente o risco de overdoses fatais.
De acordo com o relatório anual da organização sediada na capital portuguesa, só ao longo de 2025 foram notificadas 50 novas substâncias em território europeu. Este fluxo constante elevou para 1.050 o total de drogas sob vigilância restrita por parte das autoridades de saúde. Os dados recolhidos em 29 países indicam ainda que os opioides continuam a ser o principal fator de mortalidade associado ao consumo, estimando-se que tenham provocado pelo menos 7.600 mortes por overdose na União Europeia em 2024.
O documento detalha novos padrões de consumo preocupantes, como a apreensão de dispositivos de vaping contendo derivados sintéticos e semissintéticos de canábis. As autoridades temem que estes cigarros eletrónicos se transformem numa via facilitada para a introdução de outras misturas perigosas, incluindo novos opiáceos. Paralelamente, o consumo recreativo de cetamina — um anestésico medicinal — disparou entre as camadas mais jovens e na vida noturna, provocando lesões crónicas graves nos consumidores habituais. Esta tendência foi comprovada por análises a águas residuais, que registaram um aumento de resíduos de cetamina em 40 de 66 cidades europeias testadas entre 2024 e 2025.
A canábis mantém-se como a substância ilícita mais consumida no continente, afetando cerca de 24,9 milhões de adultos no último ano. Contudo, as origens do abastecimento mudaram, registando-se uma forte rota de importação de canábis herbácea proveniente do Canadá, dos Estados Unidos e da Tailândia. No que diz respeito à heroína, o mercado tem-se mostrado surpreendentemente estável. Apesar da proibição do cultivo de papoila decretada pelos talibãs no Afeganistão em 2022, as redes criminosas geriram as reservas existentes — estimadas em 12 mil toneladas de ópio em 2025 — para travar a escassez do produto na Europa.
Forte nota de preocupação é também dedicada à sofisticação dos traficantes. Para contornar a vigilância aduaneira, as redes criminosas abandonaram as grandes rotas tradicionais, recorrendo agora a portos secundários, transferências de carga em alto mar com lanchas rápidas, aparelhos voadores autónomos (drones) e semissubmersíveis. A EUDA sublinha que a violência, a intimidação e o recrutamento de jovens vulneráveis por estes grupos estão a ameaçar diretamente a segurança comunitária, concluindo que o sucesso da Europa no combate a esta crise dependerá de um investimento firme na prevenção e em estruturas de tratamento e reintegração social.