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Papa Leão XIV Condena “Realidade Dramática” da Violência Contra Mulheres
No decurso de uma vigília em Barcelona perante 40 mil fiéis, o Sumo Pontífice lamentou o clima envenenado de abusos familiares que culmina em feminicídios e sublinhou a responsabilidade da sociedade na erradicação deste mal.
Por Redação
Publicado em 09/06/2026 21:50
International
@Lusa

Barcelona, Espanha, 09 jun 2026 (Lusa) — O Papa Leão XIV alertou esta terça-feira para o cenário trágico da violência de género, realçando que estas agressões frequentemente resultam na perda de vidas de mulheres. Durante a sua intervenção, o líder da Igreja Católica convocou os cidadãos e as instituições a assumirem uma postura ativa no combate a este flagelo.

O Pontífice apontou a existência de um ambiente tóxico no seio de muitas famílias, marcado por maus-tratos e subjugação. "Perante esta realidade dramática estamos convocados a abordá-la, todos, seja pessoalmente, seja como sociedade, porque é a nós nos compete enfrentá-la em todas as suas dimensões", declarou o Papa perante uma multidão de 40 mil pessoas reunidas no Estádio Olímpico de Barcelona, no âmbito de uma vigília de oração.

Leão XIV fez questão de desresponsabilizar o plano divino pelas ações humanas, argumentando que a sociedade não pode esperar que Deus intervenha de forma automática para travar a maldade. O líder católico defendeu que o triunfo do egoísmo e da violência deve obrigar a uma reflexão profunda sobre as falhas culturais, o individualismo e a incapacidade do ser humano em zelar pelo respeito e pela dignidade do próximo.

A tomada de posição do Papa surgiu em resposta ao relato emotivo de uma estudante de Direito de 20 anos. Perante o estádio, a jovem partilhou que, na infância, a mãe sobreviveu a uma tentativa de homicídio perpetrada pelo seu pai, graças à intervenção de um terceiro que acabou por falecer. Confrontado com a dúvida da jovem sobre a dificuldade em perdoar o progenitor e em reconciliar-se com a fé, o Papa confortou-a com um abraço.

Na sua resposta, Leão XIV caracterizou o perdão como um remédio eficaz para a reabilitação de traumas psicológicos, embora tenha admitido tratar-se de um processo demorado e doloroso. O Santo Padre esclareceu ainda que perdoar o agressor não pressupõe o restabelecimento de laços ou o retorno ao cenário de violência do passado.

Esta passagem por Barcelona integra-se numa viagem oficial de uma semana a Espanha, iniciada no último sábado em Madrid. A agenda do líder da Igreja Católica prevê ainda uma deslocação ao arquipélago das Canárias entre quinta e sexta-feira. Ao longo da sua estadia em solo espanhol, o Papa tem também aproveitado as cerimónias públicas para reforçar apelos à integração de migrantes e à defesa da pluralidade cultural.

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