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Parlamento ouve hoje protagonistas da polémica em torno do SIRESP
António Pombeiro e Viegas Nunes são chamados a esclarecer acusações de favorecimento, conflitos de interesses e alegadas irregularidades na gestão da rede de emergência.
Por Redação
Publicado em 11/06/2026 06:37
Nacional

Lisboa, 11 jun 2026 (Lusa) – O ex-secretário-geral adjunto do Ministério da Administração Interna, António Pombeiro, e o atual presidente da empresa responsável pela gestão do SIRESP, Viegas Nunes, são ouvidos esta quinta-feira na Assembleia da República, numa tentativa de esclarecer a polémica que envolve a demissão do antigo responsável do ministério.

As audições foram requeridas pela Iniciativa Liberal e pelo Chega, após a divulgação da carta de demissão de António Pombeiro, na qual são apontadas alegadas situações de favorecimento, conflitos de interesses e decisões consideradas eticamente reprováveis durante a liderança de Viegas Nunes na SIRESP S.A.

António Pombeiro abandonou funções a 22 de maio, precisamente no dia em que Viegas Nunes regressou à presidência da empresa. Na carta de renúncia, o antigo dirigente afirmou ter alertado anteriormente o ministro da Administração Interna para o que descreveu como "graves irregularidades", lamentando que não tenha sido desencadeada qualquer averiguação interna.

Por sua vez, o ministro da Administração Interna, que também será ouvido no parlamento numa data ainda por definir, rejeita a existência de ilegalidades na gestão da empresa. Segundo o governante, as situações levantadas foram analisadas numa auditoria da Inspeção-Geral das Finanças, sem que tenham sido identificadas infrações ou irregularidades.

Contudo, mensagens de correio eletrónico a que a agência Lusa teve acesso indicam que António Pombeiro já tinha manifestado preocupações num primeiro pedido de exoneração apresentado em abril, referindo alegados conflitos de interesses e criticando uma eventual aproximação do SIRESP à esfera das Forças Armadas.

A rede SIRESP, utilizada pelas forças de segurança e proteção civil para comunicações de emergência, tem estado envolvida em diversas controvérsias ao longo dos anos. As falhas registadas durante os incêndios de 2017 levaram a alterações profundas no sistema, que voltou a ser alvo de críticas devido a constrangimentos verificados durante o apagão de 2025 e na sequência da tempestade Kristin, que afetou a região Centro no início deste ano.

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