Maputo, 12 jun 2026 (Lusa) — A fundição Mozal, a maior de África e atualmente encerrada desde março, garantiu ao Estado moçambicano cerca de 1.527 milhões de meticais em receitas fiscais em 2025, valor que corresponde a quase 0,5% do total arrecadado pelo país nesse ano.
Segundo dados da Conta Geral do Estado, Moçambique encaixou no ano passado cerca de 365 mil milhões de meticais em receitas correntes e de capital, sendo uma parte relevante proveniente de grandes projetos industriais.
No caso da Mozal, as receitas resultaram sobretudo de impostos sobre rendimentos e taxas específicas, num contexto em que o Estado detém uma participação minoritária no capital da empresa.
Apesar da contribuição fiscal, a fundição registou prejuízos em 2025 e não pagou alguns impostos sobre lucros, além de ter reduzido fortemente a sua atividade antes do encerramento.
A paralisação da unidade, ligada a um conflito sobre tarifas energéticas, deixou também consequências sociais significativas, com milhares de trabalhadores de empresas subcontratadas ainda sem receber compensações.
No total, dezenas de empresas prestadoras de serviços à Mozal foram afetadas, numa cadeia de impacto que se estende a cerca de 3.000 trabalhadores, segundo fontes sindicais.
O encerramento da fundição foi justificado pela empresa com custos energéticos considerados insustentáveis, mantendo-se em regime de manutenção enquanto se avalia uma possível retoma futura.