Lima, 14 de junho de 2026 (Lusa) – Centenas de apoiantes de Roberto Sánchez, o candidato de esquerda que disputa a presidência do Peru, marcharam este sábado nas ruas de Lima para exigir total transparência no apuramento dos resultados eleitorais. Sob um forte dispositivo policial, os manifestantes protestaram contra a atual contagem dos votos da segunda volta das presidenciais, que coloca a candidata de direita, Keiko Fujimori, na liderança com uma vantagem curtíssima de cerca de 18.500 votos.
Com 98,55% do escrutínio concluído, Fujimori recolhe 50,05% das intenções de voto contra os 49,94% de Sánchez. O veredicto final está agora inteiramente dependente da avaliação de mais de 1.300 atas de voto que foram contestadas ou que apresentam erros materiais. Esta auditoria está a cargo dos júris eleitorais especiais e promete arrastar-se por vários dias ou mesmo semanas, mantendo o país num clima de enorme suspense político.
A mobilização, convocada pelo partido de Sánchez — Juntos por el Perú —, concentrou-se na Praça San Martín e seguiu em direção à sede do júri eleitoral máximo. A organização lançou suspeitas sobre alegadas irregularidades em mesas de voto na capital, no estrangeiro e nas regiões do norte do país, onde Fujimori recolhe maior simpatia. Durante o desfile, os manifestantes exibiram cartazes hostis à filha do ex-presidente Alberto Fujimori e rejeitaram o regresso da sua dinastia política ao poder.
O protesto ficou ainda marcado por acusações à autarquia de Lima, liderada por forças ultraconservadoras, que foi criticada por vedar os acessos ao centro histórico, uma manobra classificada pela esquerda como um bloqueio ilegal ao direito de manifestação. A marcha na capital contou com o reforço de comitivas vindas do interior e de familiares de vítimas de protestos anteriores que apoiam a promessa de Sánchez de libertar o ex-presidente Pedro Castillo. Registaram-se também manifestações idênticas noutras cidades importantes do território peruano, como Chiclayo, Arequipa e Puno.