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Banco de Portugal antecipa défice de 0,2% este ano e de 0,5% em 2027
Boletim Económico justifica agravamento das contas públicas com gastos extraordinários na habitação, energia e na reconstrução pós-tempestades.
Por Redação
Publicado em 15/06/2026 11:54 • Atualizado 15/06/2026 11:55
Economia
Foto:Tiago Petinga

Lisboa, 15 jun 2026 (Lusa) — O Banco de Portugal (BdP) estima que as contas públicas portuguesas fechem o ano de 2026 com um défice orçamental de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB). A projeção, avançada esta segunda-feira no mais recente Boletim Económico da instituição, revela-se mais pessimista do que a meta do Governo, que continua a antecipar um saldo nulo para o fecho deste exercício. Para os anos de 2027 e 2028, a instituição liderada por Álvaro Santos Pereira prevê que o saldo negativo se agrave ligeiramente, fixando-se nos 0,5%.

De acordo com o documento do regulador bancário, esta revisão em baixa reflete o impacto financeiro de um conjunto de despesas extraordinárias que não estavam inicialmente previstas. Entre os principais fatores de pressão sobre o orçamento contam-se as novas medidas integradas no pacote legislativo para a habitação (com um peso de 0,1% do PIB), as verbas alocadas aos apoios sociais e empresariais para mitigar a escalada dos preços da energia (0,1% do PIB) e, sobretudo, os apoios e obras de reconstrução decorrentes das recentes tempestades que assolaram o país, cujo impacto ascende a 0,4% do PIB.

Ainda assim, o banco central faz uma leitura global positiva do posicionamento do país no xadrez europeu, sublinhando que, mesmo com este ligeiro desvio orçamental, "Portugal mantém-se como um dos poucos países da área do euro com um saldo orçamental próximo do equilíbrio ou em excedente".

No que diz respeito à evolução da dívida pública, o cenário traçado pelo Banco de Portugal aponta para a continuidade de uma trajetória de desalavancagem sustentada nos próximos anos. O regulador prevê que o rácio da dívida face à riqueza nacional recue para os 85,7% do PIB ainda no decorrer deste ano, mantendo a rota descendente para os 82,5% em 2027 e quebrando a barreira psicológica dos 80% em 2028, ano em que deverá fixar-se nos 79,5%.

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