Lisboa, 15 jun 2026 (Lusa) — Os preços de aquisição de habitação mais do que duplicaram em 157 municípios do país num intervalo de oito anos. As maiores valorizações imobiliárias concentraram-se na Área Metropolitana do Porto, na Grande Lisboa e na Península de Setúbal. Destacam-se, com aumentos históricos superiores a 200% no valor mediano por metro quadrado, os concelhos de Sintra, Seixal, Barreiro, Moita e Setúbal.
As conclusões constam do relatório "Habitação em Portugal: determinantes da oferta e dinâmica de preços e rendas", integrado no Boletim Económico de junho e publicado esta segunda-feira pelo Banco de Portugal.
O documento explica que este forte incremento imobiliário foi mais agressivo em concelhos que, inicialmente, apresentavam preços de compra mais baixos face às rendas locais. Este cenário forçou a procura a deslocar-se "para municípios relativamente mais acessíveis" nas franjas periféricas das duas maiores áreas metropolitanas. Em sentido inverso, a região do Algarve — que já partia de patamares elevados devido à forte pressão dos compradores não residentes — registou variações proporcionalmente mais moderadas.
No mercado de arrendamento, a tendência de duplicação de valores fez-se sentir em 23 dos 184 concelhos com dados estatísticos disponíveis entre 2017 e 2024. Neste vetor, Grândola, Sines e Moita lideraram os aumentos, com subidas acima dos 125%.
O regulador bancário conclui que as expectativas dos cidadãos nacionais quanto à evolução do imobiliário a curto prazo mantêm-se em níveis "persistentemente superiores aos da área do euro". No primeiro trimestre de 2026, os consumidores em Portugal estimavam uma subida média de 7% nos preços das casas nos 12 meses seguintes, em claro contraste com os 3,7% antecipados na zona euro. Existe no país "uma perceção generalizada de que o momento atual é favorável ao investimento" para aplicar poupanças.
Esta previsão do mercado varia, contudo, consoante a idade e a geografia. Os cidadãos entre os 55 e os 70 anos preveem um crescimento de 6,3%, ancorados no seu historial de observação de ciclos inflacionários anteriores, enquanto os jovens (18-34 anos) são mais contidos e apontam para uma subida de 4%. Geograficamente, o otimismo na subida de preços é liderado pelo Norte (6,8%) e pela Área Metropolitana de Lisboa (6,6%), enquanto Alentejo e Algarve registam as estimativas mais baixas (3,7%).
Apesar da escalada de custos, o Banco de Portugal revela que o recurso ao financiamento bancário para a compra de casa se manteve abaixo dos 60% no cômputo dos últimos anos, sendo o restante valor suportado por capitais próprios dos compradores.
Ainda assim, a concessão de empréstimos acelerou substancialmente a partir do arranque de 2024. Segundo os autores do estudo, esta dinâmica coincidiu não só com a trajetória de descida das taxas de juro de referência, mas também com a entrada em vigor do "regime da garantia do Estado" desenhado especificamente para apoiar a aquisição de habitação por parte dos jovens.