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Credores da Sicasal aprovam venda à Portral por 11,5 ME e corte de 76,2% na dívida
Plano de insolvência em votação no Tribunal de Sintra garante a continuidade do negócio e a salvaguarda de todos os postos de trabalho.
Por Redação
Publicado em 16/06/2026 08:12
Economia
@Lusa

Lisboa, 16 jun 2026 (Lusa) — Os credores da Sicasal reúnem-se esta terça-feira em assembleia no Juízo de Comércio do Tribunal de Sintra para analisar e votar o plano de insolvência da histórica empresa de produtos cárneos. A proposta em cima da mesa prevê a alienação da totalidade do negócio à concorrente Portral pelo valor de 11,5 milhões de euros.

O desenho do plano, elaborado pelo administrador da insolvência Jorge Calvete, estipula a venda em bloco de todos os ativos essenciais da Sicasal, englobando as marcas, as viaturas, a carteira de clientes, os equipamentos e o património imobiliário — como o Complexo Industrial do Gradil e os armazéns localizados na Maia e em Portimão. Para concretizar o negócio, a Portral, sediada no concelho de Sintra e que também opera no setor das carnes, planeia constituir uma sociedade veículo.

O ponto mais sensível do documento reside no forte "corte" de 76,2% nas dívidas da classe de credores comuns, que inclui a banca e os fornecedores. Este grupo, cujos créditos totais ascendem a 34,7 milhões de euros, receberá somente 23,8% do montante em falta. Na prática, os lesados vão arrecadar cerca de 8,2 milhões de euros, assumindo uma perda coletiva de 26,5 milhões de euros.

A fatia leonina deste passivo pertence ao setor bancário, que reclama mais de 20 milhões de euros. O BCP lidera a lista com 7,5 milhões de euros, seguido da Caixa Geral de Depósitos (4,3 milhões), Novo Banco (3,3 milhões), Abanca (2,7 milhões) e o Banco Europeu de Investimento (2,3 milhões, geridos pelo BCP). Em sentido inverso, o plano salvaguarda o reembolso total — num bolo de 2,3 milhões de euros — das verbas devidas aos trabalhadores, ao Fisco e à Segurança Social.

Apesar do encaixe financeiro global projetado fixar-se nos 12,3 milhões de euros — valor que soma a venda à Portral e o leilão de outros ativos secundários avaliados em 800 mil euros —, este montante será manifestamente insuficiente para cobrir a dívida total de 46,4 milhões de euros distribuída por perto de 400 credores. Ainda assim, a administração destaca como grande vitória da operação a manutenção da atividade e a proteção dos postos de trabalho, uma vez que os contratos laborais em vigor serão legalmente transmitidos para o novo proprietário.

A Sicasal, cotada como uma das maiores empregadoras da região de Mafra, viu a sua insolvência ser decretada a 6 de janeiro deste ano, na sequência de um pedido formal avançado pelo BCP em dezembro. O processo tem avançado sob alguma tensão jurídica: o BCP já contestou a validação de créditos superiores a 1,5 milhões de euros reclamados por Álvaro dos Santos da Silva, fundador e acionista da empresa. Adicionalmente, corre nos tribunais, desde o início de junho, um incidente de qualificação para apurar se a derrocada financeira da Sicasal foi provocada ou agravada por gestão culposa dos seus sócios e administradores.

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