Évian, França, 16 jun 2026 (Lusa) — O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta segunda-feira, durante a cimeira do G7 na cidade francesa de Évian, que a sua administração prescinde de "muita ajuda" por parte da comunidade internacional para assegurar a reabertura do estreito de Ormuz. A tomada de posição surge na sequência do histórico entendimento alcançado no domingo entre Washington e Teerão para pôr fim às hostilidades.
Apesar de recusar uma intervenção de larga escala, o líder norte-americano admitiu, num tom mais informal com o seu homólogo francês, Emmanuel Macron, que a presença de "um ou dois barcos de alguns países" poderia ser útil. "O seu país seria muito bom para isso, porque nunca se sabe", atirou Trump, dirigindo-se diretamente ao chefe de Estado francês. Em resposta, Macron manteve de pé a proposta de uma missão militar conjunta entre a França e o Reino Unido, sublinhando que, mesmo que a ajuda não seja considerada prioritária, o gesto serve para demonstrar o compromisso e a prontidão europeia em colaborar.
Momentos antes deste diálogo, o Presidente francês havia revelado que uma plataforma alargada de aproximadamente 20 nações estava preparada para contribuir no restabelecimento da livre circulação marítima naquela rota estratégica, impondo contudo a condição de que a intervenção fosse formalmente solicitada por ambas as partes que estiveram envolvidas no conflito. Esta força de apoio à estabilização foi desenhada à margem dos países beligerantes logo após o início dos confrontos armados, que opuseram os Estados Unidos e Israel ao Irão desde o final de fevereiro. A resposta de Teerão na altura passou precisamente pelo bloqueio total do estreito de Ormuz.
Emmanuel Macron classificou o novo tratado de paz angariado pelos norte-americanos como um marco "muito importante", destacando que o pacto resolve o dossiê sensível do programa nuclear do Irão e abre caminho para pacificar o Líbano.
Para além dos ganhos geopolíticos, a reabertura desta passagem marítima vital representa uma lufada de ar fresco para os mercados internacionais. O bloqueio do estreito — por onde é escoado cerca de um quinto de todo o petróleo bruto consumido à escala global, além de volumes massivos de fertilizantes agrícolas — provocou uma forte crise na economia mundial e gerou alertas severos por parte das Nações Unidas quanto ao risco de escassez alimentar global.