Lisboa, 17 jun 2026 (Lusa) — O ministro da Administração Interna, Luís Neves, admitiu esta quarta-feira que o país ainda enfrenta uma "falta de cultura de limpeza" por parte da comunidade nos territórios rurais. Durante uma audição na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, o governante apontou que a propriedade privada se assume como "um obstáculo" para que o Estado possa intervir diretamente na prevenção dos incêndios. O esclarecimento surgiu em resposta ao deputado Pedro Pinto, do Chega, sobre a falta de limpeza nas matas. Luís Neves assumiu as falhas, mas referiu que a criação das Operações Integradas de Gestão da Paisagem (OIGP) permite uma organização por parte dos proprietários para que o Estado pague essa limpeza, tal como tem sido feito sobretudo na zona de Leiria.
Ainda focado na prevenção, o titular da pasta da Administração Interna destacou a atividade do recém-criado Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO), em Leiria, que foi estruturado para limpar o território e não tem prazo para terminar. Em apenas dois meses, este comando permitiu desobstruir mais de 17 mil quilómetros de rede viária florestal. Esta intervenção excecional foi necessária porque as tempestades de inverno deixaram milhões de árvores derrubadas e extensas áreas florestais profundamente alteradas, o que resultou num risco acrescido para o período crítico de incêndios.
Questionado sobre a preparação do Dispositivo Especial de Combate aos Incêndios Rurais (DECIR), o ministro adotou uma postura de prudência, afirmando que "para grandes calamidades nunca se pode dizer que se está completamente preparado". Ainda assim, Luís Neves frisou que há mais meios humanos e de equipamentos no terreno. Para este ano, o DECIR tem ao dispor um total de 79 meios aéreos, além de três helicópteros da estrutura privada da AFOCELCA. O ministro revelou também que o meio aéreo sediado em Santa Comba Dão não está operacional por se encontrar em reparações.