Lisboa, 17 jun 2026 (Lusa) — O primeiro-ministro, Luís Montenegro, alertou hoje, no Parlamento, que o país terá pela frente um período estival "ainda mais exigente" no que toca aos incêndios florestais. Durante a sua intervenção na abertura do debate quinzenal, o chefe do executivo garantiu que o Governo se antecipou e está a direcionar todos os recursos disponíveis para reforçar as ações de prevenção e a capacidade de resposta operacional. O governante aproveitou a ocasião para assinalar os nove anos decorridos desde os trágicos incêndios de Pedrógão Grande, em 2017, que provocaram a morte a 64 pessoas, deixando um apelo veemente à consciencialização e ao envolvimento cívico de toda a população, sustentando que a atitude individual é decisiva para salvaguardar vidas.
A acrescer às dificuldades meteorológicas crónicas da estação, o primeiro-ministro destacou o impacto severo dos temporais de inverno, que deitaram por terra centenas de milhares de árvores e aumentaram a vulnerabilidade do território. Luís Montenegro realçou o empenho conjunto que está a ser feito no terreno por bombeiros, sapadores florestais, operacionais da Proteção Civil, do ICNF, da GNR e das Forças Armadas, que trabalham em articulação direta com a tutela e os municípios. Entre as medidas estruturais, o líder do Executivo destacou a implementação do Comando Integrado de Prevenção e Operações, uma estrutura que visa assegurar uma coordenação contínua e que representa uma viragem na articulação entre o combate imediato e a mitigação antecipada do risco.
Até ao momento, os trabalhos de limpeza e engenharia florestal permitiram desimpedir cerca de 18 mil quilómetros de vias e redes em áreas florestais, recorrendo a um contingente diário que envolve perto de 830 operacionais, apoiados por 245 viaturas e 60 máquinas pesadas. A fechar o balanço da prontidão do Estado para os meses mais quentes, Luís Montenegro informou que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) também se encontra preparado, tendo o respetivo plano de contingência para o verão sido acionado logo a 1 de maio. Apesar de todo o planeamento logístico e preventivo delineado, o primeiro-ministro assumiu com realismo que o desafio que o país enfrenta continua a ser de enorme magnitude.