Lisboa, 17 jun 2026 (Lusa) — O debate quinzenal no Parlamento voltou a ser palco de intensa troca de acusações, desta vez com o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, a sugerir a existência de um entendimento de bastidores entre o Governo PSD/CDS-PP e o Chega para aprovar a revisão do Código do Trabalho. O líder comunista acusou as duas forças políticas de montarem um teatro para fingirem uma negociação que, na verdade, já estará decidida.
Durante a sua intervenção, Paulo Raimundo classificou a recente reunião entre Luís Montenegro e André Ventura como "longas horas de encenação". O líder do PCP atirou diretamente ao primeiro-ministro, afirmando que o presidente do Chega "combinou consigo ou com alguém do seu Governo aquilo que estava previamente decidido que era para cair". Segundo a tese dos comunistas, a estratégia passa por criar falsas exigências — meras "bandeirinhas" políticas — que depois serão abandonadas, permitindo ao Chega votar ao lado do Executivo "contra os trabalhadores". Raimundo foi ainda mais longe na provocação e afirmou que André Ventura está a disputar com Montenegro "o lugar de funcionário do mês das confederações patronais".
Na resposta às suspeitas de conluio, Luís Montenegro garantiu desconhecer qual será o sentido de voto final do Chega na discussão que arranca esta quinta-feira e vai a votos na generalidade na sexta-feira. "Eu não sei mesmo, não sei", asseverou o chefe do Governo.
O primeiro-ministro preferiu contra-atacar usando a ironia, rejeitando o enquadramento feito pelo PCP. Montenegro afirmou que André Ventura demonstra ter uma "veia sindicalista" tão vincada que, por vezes, consegue "passar o Partido Comunista pela esquerda" ao propor medidas que nem o PCP se atreveria a apresentar. Classificando o líder do Chega como "o mais socialista" daquela bancada e apontando-lhe um "travo comunista", o primeiro-ministro aproveitou para colocar os dois opositores no mesmo saco: "O que é que junta o senhor deputado André Ventura ao senhor deputado Paulo Raimundo? É acharem que é possível fazer tudo e dar tudo a todos ao mesmo tempo".