Havana, 18 de junho de 2026 (Lusa) — Numa tentativa de travar a profunda crise económica e energética que asfixia o país, o Comité Central do Partido Comunista Cubano (PCC) deu luz verde a um pacote extraordinário de reformas estruturais orientadas para a economia de mercado. A decisão surge num momento de asfixia financeira, agravada pelo embargo petrolífero imposto pela administração norte-americana de Donald Trump desde o início do ano.
As propostas, que serão hoje submetidas à aprovação da Assembleia Nacional do Poder Popular, preveem uma abertura sem precedentes ao capital privado, estímulos para captar as remessas da diáspora e uma reestruturação profunda do aparelho estatal, que incluirá a redução de ministérios e de funcionários públicos. O presidente Miguel Díaz-Canel já garantiu que o leque de atividades permitidas ao setor privado será "o mais amplo possível" e que os cubanos residentes no estrangeiro terão as mesmas condições de investimento que os estrangeiros.
Apesar da viragem ideológica, o primeiro-ministro, Manuel Marrero, apressou-se a clarificar que estas transformações "não implicam, de forma alguma, renunciar à responsabilidade social do Estado". Atualmente, as empresas privadas com até 100 trabalhadores — autorizadas em 2021 — já representam um terço da população ativa de Cuba, demonstrando o peso crescente deste setor na sobrevivência económica da ilha.
O plano recebeu ainda o apoio público do ex-presidente Raúl Castro, de 95 anos, que descreveu as reformas como "o que melhor convém à revolução neste momento". Pressionada por cortes generalizados de energia e pela escassez severa de alimentos e medicamentos, Havana tenta, através desta flexibilização económica, ganhar margem de manobra enquanto mantém canais de conversação abertos com Washington.