Lisboa, 18 de junho de 2026 (Lusa) — A economia nacional acumulou um saldo positivo de 814 milhões de euros nas suas contas externas até ao final do primeiro quadrimestre do ano. Os dados publicados esta quinta-feira pelo Banco de Portugal (BdP) indicam, contudo, uma quebra de 46,7% quando comparado com o valor alcançado no mesmo período de 2025.
Apesar da descida no balanço homólogo (em relação ao ano anterior), o desempenho do mês de abril isolado trouxe uma lufada de ar fresco às contas públicas. Portugal conseguiu injetar mais 626,15 milhões de euros no acumulado face ao fecho de março, superando também o registo de abril do ano passado, que se tinha fixado nos 338 milhões de euros.
Para justificar a evolução ao longo do ano, a instituição liderada por Mário Centeno apontou o alargamento do défice na balança de bens em 968 milhões de euros, uma vez que o ritmo de crescimento das compras ao exterior (importações) superou o dinamismo das vendas portuguesas (exportações). No setor dos serviços, o excedente habitual também encolheu ligeiramente, afetado pela subida dos custos e da procura por serviços de transporte internacional, com especial incidência no frete marítimo de mercadorias. Por outro lado, o défice nos rendimentos primários melhorou, beneficiando diretamente de uma poupança no pagamento de juros a entidades estrangeiras.
O banco central destacou ainda que a capacidade de financiamento do país perante o exterior gerou um saldo positivo de 890 milhões de euros na balança financeira. Este resultado foi impulsionado pelo investimento das companhias de seguros e fundos de pensões em dívida, bem como pelo reforço dos depósitos de particulares e do Estado além-fronteiras. No extremo oposto, as empresas que não operam no setor financeiro e o próprio BdP foram os agentes que registaram as maiores reduções nos seus ativos líquidos durante o período analisado.