MENU
Resposta à pressão dos doentes: ULS Matosinhos garante solução para Esclerose Múltipla em poucas semanas
Após utentes lançarem petição pública contra anos de espera e falta de instalações especializadas, a nova administração do hospital compromete-se com uma resposta "digna e sustentável".
Por Redação
Publicado em 19/06/2026 09:38
Sociedade
Foto:Tiago Botelho

Matosinhos, 17 de junho de 2026 — A Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM) anunciou que está a finalizar um plano para dar uma resposta “digna, sustentável e adequada” às exigências dos doentes com Esclerose Múltipla. O compromisso da instituição surge na sequência de um forte movimento de protesto dos utentes, que avançaram com uma petição pública a exigir a abertura imediata de uma clínica dedicada ao tratamento desta patologia crónica.

Em esclarecimentos prestados, o conselho de administração da ULSM revelou que o planeamento desta nova valência encontra-se já numa "fase avançada", prevendo-se que o projeto final seja apresentado e colocado em prática no decorrer das próximas semanas. A tutela sublinha que o objetivo passa por salvaguardar o bem-estar dos doentes e, ao mesmo tempo, assegurar uma melhor eficácia operacional para as equipas médicas.

A tomada de posição do hospital surge em resposta direta ao manifesto digital intitulado *“Não nos peçam para esperar mais: pela abertura da clínica de Esclerose Múltipla da ULS de Matosinhos”*. No documento, os subscritores denunciam que, apesar das sucessivas intenções manifestadas pelas anteriores chefias, continuam privados de um espaço centralizado.

Os doentes relatam que os tratamentos têm sido assegurados em locais dispersos pelas instalações hospitalares e criticam os tempos de espera excessivos, que penalizam a qualidade de vida de cidadãos ativos, pais e cuidadores.

“Quem vive com Esclerose Múltipla já vive diariamente com a incerteza de não saber quando virá o próximo surto. Não devíamos ter de lutar também contra obstáculos administrativos que dependem apenas de vontade, decisão e organização”, lamentam os utentes no texto da petição.

Face às críticas, a direção da ULSM — liderada pelo médico Nélson Pereira, que assumiu funções há cerca de um mês e meio — esclareceu que a Esclerose Múltipla é reconhecida como uma patologia de elevada complexidade que carece de um acompanhamento muito diferenciado.

A administração garante que, desde o primeiro dia de mandato, tem estado a auditar de forma minuciosa os principais dossiers estruturantes da instituição, colocando a criação desta resposta dedicada no topo das prioridades para a região.

A Esclerose Múltipla é uma doença inflamatória e degenerativa do sistema nervoso central que afeta maioritariamente jovens adultos, com especial incidência nas mulheres. De acordo com os dados clínicos mais recentes, estima-se que a patologia afete mais de 8 mil pessoas em Portugal.

 

Comentários