Gouveia, Guarda, 20 de junho de 2026 (Lusa) — O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Paulo Raimundo, classificou este sábado, em Gouveia, a rejeição da reforma laboral na Assembleia da República como um triunfo marcante para a classe trabalhadora, para a CGTP e para os comunistas, destacando a firmeza de quem não recuou.
"Saiu-nos do pelo, mas valeu bem a pena. Nos últimos tempos não temos tido a vida fácil, aproveitemos agora para festejar", declarou o dirigente durante a sua alocução na 11ª Assembleia da Organização Regional da Guarda do PCP, assumindo o encontro como o primeiro grande momento de celebração após o chumbo do diploma. Para Raimundo, a reprovação do documento salvaguardou o quotidiano dos operários face a um texto que considerava gravoso.
O líder do PCP contabilizou cerca de 11 meses — precisamente 330 dias desde que a proposta legislativa foi conhecida a 24 de julho de 2025 — de forte oposição e mobilização nas ruas. Segundo as suas palavras, este período serviu para contrariar os interesses dos grandes grupos económicos, isolar o Executivo e expor as manobras e cedências daqueles que tentaram validar o pacote laboral até ao último instante. O desfecho, argumentou, prova que a união dos trabalhadores consegue sobrepor-se aos interesses do capital.
"Derrotámos o Governo e este seu objetivo, foram derrotadas as retrógradas confederações patronais", apontou Paulo Raimundo, desafiando a Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) e estruturas semelhantes a tentarem novas investidas, ironizando sobre quem terá a audácia de as apoiar politicamente no futuro.
Na lista de derrotados elaborada pelo secretário-geral constam, além dos partidos da coligação do Governo (PSD e CDS) e da Iniciativa Liberal, o Chega, a quem apelidou de "partido das cambalhotas" e "da farsa". Raimundo ironizou com a postura da bancada de André Ventura após o sentido de voto expresso no Parlamento, comparando a solidez ideológica do Chega à de "uma gelatina fora do frigorífico".
O líder do PCP sustentou que a força de direita se encontrava num impasse: por um lado, desejava agradar aos lóbis económicos a quem responde; por outro, temia perder o eleitorado que tenta cativar com promessas populistas. No seu entender, o Chega acabou por ceder à contestação social e à seriedade da matéria em discussão, deixando a sua incoerência a descoberto.
Paulo Raimundo concluiu sublinhando que os 330 dias de protestos representam o início de uma nova etapa social, política e ideológica no país. Com o atual cenário de perda de poder de compra, o dirigente instou os trabalhadores a manterem-se mobilizados para erradicar os vínculos precários, exigir horários estáveis que permitam a conciliação com a vida familiar e forçar uma repartição mais justa da riqueza produzida diariamente nas empresas.