Lisboa, 23 jun 2026(Lusa) — O Executivo português está a acompanhar de perto o potencial dos “gémeos digitais” para antecipar cenários de catástrofe e otimizar o trânsito e a mobilidade nas cidades através de Inteligência Artificial (IA). A garantia foi dada esta terça-feira pelo ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, durante um encontro da Rede de Simplificação e Tecnologias do Estado, na capital.
O governante sublinhou que estas réplicas virtuais — que simulam ao detalhe sistemas reais a partir de dados recolhidos em tempo tempo real — estão a ser desenhadas integralmente em Portugal pela Agência para a Reforma Tecnológica do Estado (ARTE), afastando a contratação de parceiros estrangeiros para o projeto.
A par dos gémeos digitais, a grande novidade tecnológica do verão será o "Amália", o modelo soberano de linguagem em português. Segundo o ministro, a ferramenta estará operacional no próximo mês e terá uma aplicação interna e muito direcionada para a Administração Pública, operando em setores onde a proteção de dados sensíveis é crítica.
"É um modelo soberano, e portanto, isto permite-nos casos de uso muito específicos, na saúde, por exemplo, ou até nas Forças Armadas, em áreas de soberania e em áreas com alguma delicadeza de informação", explicou Gonçalo Matias.
O objetivo do Ministério passa por integrar esta IA no quotidiano de vários organismos públicos, servindo de alavanca para acelerar processos burocráticos, gerir melhor as equipas do Estado e agilizar a emissão de licenças e contratos públicos.
Para preparar os funcionários públicos para esta transição digital, o Governo revelou um plano estratégico de formação em IA com um orçamento global que pode ascender aos 80 milhões de euros (arrancando com uma verba inicial de 25 milhões). O programa irá dividir-se entre ações presenciais e e-learning.
Paralelamente, a centralização e harmonização da compra de tecnologia por parte do Estado deverá gerar um forte encaixe financeiro para os cofres públicos. Ao negociar contratos únicos com os grandes gigantes tecnológicos internacionais, o Governo prevê conseguir uma poupança estrutural na ordem dos 300 milhões de euros.