Lisboa, 25 jun 2026 (Lusa) — A equipa jurídica de Iker Casillas veio a público clarificar que a seguradora Fidelidade não transferiu qualquer verba ou compensação financeira para o ex-futebolista espanhol após o enfarte do miocárdio que este sofreu em maio de 2019.
Em nota enviada à agência Lusa, os representantes legais do antigo guardião do FC Porto detalham que a empresa de seguros assumiu a posição de que o episódio cardíaco, ocorrido em pleno relvado durante um treino, “não se enquadra no conceito de acidente de trabalho”. Foi por este motivo que a seguradora não efetuou qualquer pagamento ao abrigo da apólice.
Os advogados esclareceram ainda que a verba de 1,5 milhões de euros associada ao litígio judicial — que corre termos no Tribunal de Trabalho do Porto desde o final de 2021 — diz respeito unicamente ao salário anual que os "dragões" declararam à seguradora para definir as responsabilidades contratuais. A defesa reforça que este valor "nunca foi entregue pela Fidelidade ao Sr. Iker Casillas", uma vez que tal pagamento significaria que a seguradora aceitava a tese de acidente de trabalho, que é precisamente o cerne da disputa em tribunal.
O caso segue em julgamento, com o ex-internacional espanhol a tentar provar que o problema de saúde sofrido na sessão de treino deve ser juridicamente reconhecido como um acidente laboral. Casillas exige que a seguradora cubra mais de 750 mil euros por incapacidade temporária total e cerca de 1,52 milhões de euros por incapacidade permanente absoluta para a sua profissão habitual. Adicionalmente, o antigo atleta pede que o FC Porto assuma as parcelas que ficaram de fora da cobertura do seguro (perto de 491 mil euros por baixa temporária e quase um milhão de euros pela perda definitiva de capacidades), além de exigir o pagamento de tratamentos médicos futuros.
Na mais recente sessão do julgamento, a perita médica Natália António explicou que, embora o esforço físico do treino de 1 de maio de 2019 possa ter funcionado como um "gatilho" ou fator desencadeante para a rutura da artéria, a causa de fundo foi uma patologia coronária pré-existente (doença aterosclerótica). A cardiologista sublinhou que Casillas passou a ser um paciente de muito alto risco cardiovascular, com perigo acrescido de arritmias e morte súbita, o que o impede em definitivo de regressar ao desporto de alta competição.
Em depoimentos anteriores, o próprio Iker Casillas partilhou com o tribunal o terror vivido no momento do colapso e as sequelas severas com que vive no dia a dia. "Não consigo correr mais do que 20 ou 50 metros. Acabou por completo com a minha carreira", desabafou o antigo capitão da seleção espanhola.